30 de mar. de 2011
28 de mar. de 2011
21 de mar. de 2011
DESDE QOSQO HASTA HUARAZ
21 de mar. de 2011
I
.
...e refiz as malas novamente
Vou-me daqui não sei pra onde
Todo lugar é indiferente
E nada enfim me corresponde.
.
Parto daqui, não há saudade;
Chuva que cai em solo firme...
Levo de mim só a metade
Não sei se a outra vai seguir-me.
E já pressinto antes de ir
Em meu destino mundo afora,
Todo ficar é já partir...
Rumos traçados; vou embora.
.
II
.
Papeis rasgados pelo chão
Meu cobertor aveludado
A mão que treme, um violão
Nalgum lugar dependurado.
.
Frases perdidas num bilhete
Coisas escritas sem saber
Que serviriam de lembrete
Só pra um dia eu me esquecer.
.
O tempo ás vezes me engole
Me regurgita, me contrai
Todo passado é denso e mole
Nevoa cinzenta quando cai.
.
III
.
E eu contraceno inutilmente
Com a partida que farei
Pela vitrine transparente
Dos objetos que comprei.
.
Pois fatalmente eu me sinto
Como alguém que se vendeu
Pelo amargor suave e tinto
De alguma coisa que bebeu.
.
Então irei sem minhas malas
Porque não sei a que levar
Não sei que coisas vou guardá-las
Apenas sei: não vou voltar.
.
FTO
18 de mar. de 2011
17 de mar. de 2011
16 de mar. de 2011
15 de mar. de 2011
O CORPO DO DIA MOLHADO
.
As horas tingidas de brisa
No corpo molhado do dia
São como alguém que precisa
Reencontrar alegria.
.
Lembram um peso, um fardo
Nas aguas frias do marne,
Ou um cavaleiro hussardo
Com estilhaços na carne.
.
E, como as águas, se espalham
No leito frio e calado
Da brisa que fere e retalha
O corpo do dia molhado
.
FTO
As horas tingidas de brisa
No corpo molhado do dia
São como alguém que precisa
Reencontrar alegria.
.
Lembram um peso, um fardo
Nas aguas frias do marne,
Ou um cavaleiro hussardo
Com estilhaços na carne.
.
E, como as águas, se espalham
No leito frio e calado
Da brisa que fere e retalha
O corpo do dia molhado
.
FTO
8 de mar. de 2011
2 de mar. de 2011
RASCUNHO
2 de mar. de 2011
.
Minha poesia inacabada,
Que o tempo não rimou,
Nunca pode ser cantada,
Já não pode ser rimada,
E não pode ser quem sou.
.
Minha poesia sem papel,
Sem caneta nada enfim,
Foi a coisa mais fiel,
Uma estrela no meu céu,
Uma parte dele em mim.
.
Mas nada disso eu diria,
Se pudesse descrever,
Que em mim a poesia,
A si mesma se escrevia,
Eu precisei apenas ler.
.
Trazido de O.T.Velho (Conservatório Íntimo)
Minha poesia inacabada,
Que o tempo não rimou,
Nunca pode ser cantada,
Já não pode ser rimada,
E não pode ser quem sou.
.
Minha poesia sem papel,
Sem caneta nada enfim,
Foi a coisa mais fiel,
Uma estrela no meu céu,
Uma parte dele em mim.
.
Mas nada disso eu diria,
Se pudesse descrever,
Que em mim a poesia,
A si mesma se escrevia,
Eu precisei apenas ler.
.
Trazido de O.T.Velho (Conservatório Íntimo)
LIMÍTROFES
.
O espelho não reflete,
Aquilo que julgo ver,
Ele apenas se repete,
Noutro modo de me crer.
.
Em sua forma atenuada,
O que ele desconhece,
É que a imagem transformada,
Nunca é o que parece.
.
E o reflexo duplicado,
Mostra coisas que não sei,
Pois sou apenas projetado,
De uma idéia que criei.
.
Trazido de O.T.Velho (Conservatório Íntimo)
O espelho não reflete,
Aquilo que julgo ver,
Ele apenas se repete,
Noutro modo de me crer.
.
Em sua forma atenuada,
O que ele desconhece,
É que a imagem transformada,
Nunca é o que parece.
.
E o reflexo duplicado,
Mostra coisas que não sei,
Pois sou apenas projetado,
De uma idéia que criei.
.
Trazido de O.T.Velho (Conservatório Íntimo)
FINGIMENTO
.
E ele sonhava caravelas,
Com medo de ser navio,
Com suas águas amarelas,
Num imenso mar bravio.
.
Nunca quisera ser porto,
Pois o porto só abriga,
O cargueiro feio e morto,
E a caravela antiga.
.
E pensava tão distante,
Na sua inventada razão,
Como um fio de barbante,
Segurando a embarcação.
.
Trazido de O.T.Velho (Conservatório Íntimo)
E ele sonhava caravelas,
Com medo de ser navio,
Com suas águas amarelas,
Num imenso mar bravio.
.
Nunca quisera ser porto,
Pois o porto só abriga,
O cargueiro feio e morto,
E a caravela antiga.
.
E pensava tão distante,
Na sua inventada razão,
Como um fio de barbante,
Segurando a embarcação.
.
Trazido de O.T.Velho (Conservatório Íntimo)
EQUÍVOCO
.
Há num momento qualquer,
Qualquer coisa indefinida,
E que não passa sequer,
De uma coisa presumida.
.
E que não tem definição,
Além da possibilidade,
De não ser só presunção,
Mas a pretensa verdade.
.
E é assim que tudo vira,
Na imagem que se vende,
Ao fazer duma mentira,
A verdade que nos prende.
.
Trazido de O.T.Velho (Conservatório Íntimo)
Há num momento qualquer,
Qualquer coisa indefinida,
E que não passa sequer,
De uma coisa presumida.
.
E que não tem definição,
Além da possibilidade,
De não ser só presunção,
Mas a pretensa verdade.
.
E é assim que tudo vira,
Na imagem que se vende,
Ao fazer duma mentira,
A verdade que nos prende.
.
Trazido de O.T.Velho (Conservatório Íntimo)
SOFISMA
,
Há um traço obrigatório,
Uma curva que detém,
Meu desejo incorpóreo,
Minha vida de alguém.
.
A eterna inconstância,
Num sofisma rudimentar,
Que me prende à distância,
Onde penso não estar.
.
E ao nível não tangível,
Desta forma obsoleta,
O existir é tão possível,
Quanto a idéia na gaveta.
.
Trazido de O.T.Velho (Conservatório Íntimo)
Há um traço obrigatório,
Uma curva que detém,
Meu desejo incorpóreo,
Minha vida de alguém.
.
A eterna inconstância,
Num sofisma rudimentar,
Que me prende à distância,
Onde penso não estar.
.
E ao nível não tangível,
Desta forma obsoleta,
O existir é tão possível,
Quanto a idéia na gaveta.
.
Trazido de O.T.Velho (Conservatório Íntimo)
PAISAGEM
.
Não sei se chove lá fora
Respingos molham o centro
Da paisagem que decora
A chuva que cai-me dentro
.
Deita-me na relva, deita
Porque a água acalanta
A arritmia perfeita
Daquilo que ela planta
.
E que o dia se embebede
De tudo que lhe convém
Pois no coração rebelde
Ás vezes chove também
.
Trazido de O.T.Velho (Conservatório Íntimo)
Não sei se chove lá fora
Respingos molham o centro
Da paisagem que decora
A chuva que cai-me dentro
.
Deita-me na relva, deita
Porque a água acalanta
A arritmia perfeita
Daquilo que ela planta
.
E que o dia se embebede
De tudo que lhe convém
Pois no coração rebelde
Ás vezes chove também
.
Trazido de O.T.Velho (Conservatório Íntimo)
TORPE E BANAL
.
A poesia, em rumos diversos,
Escapa-se do entender,
Não é expressa em versos,
E não se a pode escrever.
.
Buscai somente o sentido,
Da forma alheia e discreta,
Do algo incompreendido,
Que se perdeu do poeta.
.
Mas se atrevido, entretanto,
Ainda a quiseres buscar,
Deixai o meu livro de canto,
Que assim a irás encontrar.
.
Trazido de O.T.Velho (Conservatório Íntimo)
A poesia, em rumos diversos,
Escapa-se do entender,
Não é expressa em versos,
E não se a pode escrever.
.
Buscai somente o sentido,
Da forma alheia e discreta,
Do algo incompreendido,
Que se perdeu do poeta.
.
Mas se atrevido, entretanto,
Ainda a quiseres buscar,
Deixai o meu livro de canto,
Que assim a irás encontrar.
.
Trazido de O.T.Velho (Conservatório Íntimo)
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